sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Histórias que guardo Comigo


Por Mariza Poltronieri*
Mazzaropi
Mariza Poltronieri
Tem alguns personagens antológicos que fazem parte de minha memória mais querida.Um deles Mazzaropi, o caipira dos filmes B, inocente e divertido. Lembro dele pelas risadas de "Seu Luis",  meu pai, quando íamos ao cinema, depois de um domingo de muito movimento no restaurante.

"Seu Luís" assistia o Mazaropi e eu assistia o "seu Luís". Ele ria muito, chegava a se contorcer na poltrona do cinema. Eu não entendia tanta graça, mas era muito bom ver meu pai feliz. Os dois se foram e a história guardo comigo.

O outro personagem, Ted Boy Marino, lutador de Telecatch, um artista de circo, luta de mentira, inocente e divertido. Lembro dele pelas risadas do meu avô, nas noites de domingo, em Novo Hamburgo, no RS.

Primeiro passava “Topo Gigio”, o ratinho italiano (era italiano?), muito bonitinho, depois aquela armação com um monte de personagens “do mal”, vestidos com roupas apertadinhas de uma masculinidade duvidosa. Vô Pedro assistia Ted Boy e eu assistia vô Pedro. Eu tinha medo, pois acreditava naquela invenção. Meu avô explicava que era briga de mentira. Eu acreditava nele e ficava feliz.

Ted Boy Marino
Hoje Ted Boy se foi, meu avô há muito tempo também e a história guardo comigo.
A gente mistura as pessoas inventadas com as pessoas de verdade. As primeiras complementam as segundas. Todas fazem parte de nosso afeto.

Mariza Poltronieri* É culinarista, em Maringá. Escreve aqui sempre que tem vontade. E sobre o que quiser. Toda vez que ela aparece, tempera as páginas desse blog com histórias deliciosas.

domingo, 23 de setembro de 2012

Tetê, teu filho cresceu

Chico Cesar e Dani Black
Eu estava voltando, ontem, para casa. Em Brasília, a volta pra casa se dá sempre através de estradas. As distâncias são longas e quem não é acostumado com isso acredita mesmo estar fazendo uma viagem. A sensação mais se intensifica quando a volta é fora do horário de pico, quando o volume de carros é menor e a estrada parece "sua".

Dani e Tetê
Como eu dizia, ontem, voltando pra casa, rádio ligado, escutei Chico Cesar cantando com Dani Black.  Eles cantavam um velho sucesso do Chico, "A primeira vista". A novidade foi ouvir aquele nome, Dani Black, anunciado no rádio. Dani é filho de Tetê Espíndola e do Arnaldo Black. Uma daquelas crianças que compõem a nova geração da família de artistas mais celebrada de Mato Grosso do Sul.

Senti um orgulho besta. Conheço Tetê de muito tempo atrás. Desde antes dela ter filho. Fiquei com vontade de ligar pra ela e dividir a alegria de ouvir o nome do Dani no rádio. E depois, de ouvir ele e Chico cantando juntos.

O Dani artista eu conheci já com disco pronto. Foi da última vez em que estive em Campo Grande e Ecilda Stefanello foi me buscar no aeroporto. Ao entrar no carro dela percebi uma música muito gostosa de ouvir. Uma coisa nova, arejada. E ele então me mostrou o disco recém editado do Dani Black.

capa do cd de Dani
Conversamos muito aquela noite. Coisas de um longo tempo de distância. Pra quem foi sócio por doze anos seguidos, qualquer tempo distante é muito. Ao final da noite e da conversa, quando ela me deixava no hotel, antes que eu me despedisse ela me deu de presente o disco.
Ecilda Stefanello e eu, nos tempos da Act Comunicação
Encontrei um video amador que mostra os dois, Chico e Dani, cantando "A primeira Vista", em Fortaleza. É como eu disse, um vídeo amador, mas vale pelo registro e vale pelos dois. E vale pra perceber, Tetê, que teu filho cresceu.

Celso, a dançarina e o ladrão

Cartaz do filme "A dançarina e o Ladrão" 
Caro Celso Grecco.

Acabo de assistir um filme com o Ricardo Darin, aquele ator argentino que é brilhante. Certamente, um dos melhores da sua geração. Tenho a desconfiança de que foi você quem primeiro me falou sobre esse filme.

Se não foi, ponha-o na sua lista. O filme é uma delícia, emocionante, terno, cheio de clichês e muito bem resolvido.
Cena de "A Dançarina e o Ladrão" 


A dançarina em questão
Foi um belo presente para essa manhã de domingo.
Junto com o fato de assistir o filme, acho que veio um novo momento na nossa relação com esta casa onde moramos hoje. Ontem à noite, empolgado pela indicação de "O Palhaço", do Selton Melo para a disputa do Oscar, na qualidade de filme estrangeiro, promovi uma sessão de cinema com meu pai, minha mãe, eu, Mara, Gabriel e Carol.
Foi muito bom e descobrimos o quanto nos fazia falta ver filmes em casa. Nossa "sala de cinema" passou pelo teste e de imediato, começamos a pensar em outros filmes, outras sessões. Hoje cedo, depois de fazer os relatórios e que tais, chamei Mara para assistirmos "O baile da Victória", título original de "A dançarina e o Ladrão", filme espanhol, rodado em 2009, que só chegou às nossas salas de cinema no começo deste ano e agora está ao nosso alcance, também nas locadoras.
Pensei em você. Pensei na simplicidade e na complexidade da vida. Um filme cheio de clichês. E daí? Eles todos funcionam. O clichê da liberdade, do sonho, do romantismo, da esperança...
Se ainda não viu, corra para alugar uma cópia. Vale a pena. (Gaste um tempinho e confira o trailer aí embaixo).
Grande abraço e bom domingo.
Sobre Sagres, a Nova Escola de Sagres, nosso projeto comum e incomum, estou pensando nos nomes que podem somar. É um sonho bom, que certamente faremos virar realidade. Conte comigo, agenda reservada.


sábado, 22 de setembro de 2012

Chuva, algo de bom

Manhã fria e chuvosa de sábado. Brasília respira aliviada. E eu também. Vejo o clip de Something Good. Sangue e areia, para começar o dia.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Simplicidade, beleza e poesia

Maurilo Andreas
Maurilo Andreas é um gigante. De uma enorme delicadeza com as letras. De vez em quando, ele produz escritos invejáveis. Estes dias foi assim. Escreveu tão simples e tão lindo que eu não resisti e resolvi partilhar aqui.

Porque na simplicidade reside a essência do raciocínio que ele transforma em conversa de poeta com criança. Maurilo e suas histórias. Direto do Pastelzinho. Pra fechar a noite de quarta e desejando que o dia seja bem melhor, amanhã.

Pai e filho

*Por Maurilo Andreas

- Pai, olha o que eu construí.

Abaixando o jornal, o pai olhou sem muito interesse o amontoado de palitos de picolé com forma indefinida. Rapidamente voltou à leitura e perguntou automático:

- Bonito, filho, o que é?

- Ainda não sei – respondeu o pequeno – primeiro eu construí, agora preciso inventar.

E assim foi-se a tarde, o jornal relegado a um canto e pai e filho construindo algo enorme a partir de um amontoado de palitos de picolé: um hidroavião, um dragão, um castelo. Um pai. Um filho.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Assim em Paris, como em Nova Iorque

Lá como cá. Línguas distintas para coisas semelhantes. Pessoas, lugares objetos que traduzem um estilo, um jeito de ser, uma identidade. Uma brincadeira de costumes, uma tradução curta para duas cidades eternas. Assim em Paris, como em Nova Iorque. Pra começar bem a quarta-feira.

domingo, 9 de setembro de 2012

Fé, estrada e chão na terra de Galvez

O nascer do dia, em Cruzeiro do Sul.
Da janela do meu quarto de hotel vejo o dia amanhecer, em Cruzeiro do Sul. Outros ares. Outra terra. Outros cheiros e sabores. É de lá também que vejo as ruas mudadas. As ladeiras asfaltadas e a mesma  esperança nos olhos das pessoas.

Da minha janela avisto o mercado central. Os mercados me atraem. O de são Luis, o de Belo Horizonte, o de Porto Alegre, o de Montes Claros, o de Brasília. Sim, Brasília também tem um mercado central. Tão cheiroso e atraente quanto todos os outros que citei.

Desço as ladeiras de Cruzeiro em companhia de Rodrigo Teixeira. Rodrigo fala de uma vida que em muitos momentos cruza com a minha. Pessoas iguais, lugares iguais, mesmas histórias e tempos. O escuto falar e me pergunto: Não estivemos juntos antes? Sim, claro que estivemos, frequentamos as mesmas turmas, ouvimos as mesmas músicas, fomos aos mesmos bares... Mas nossos tempos eram outros e, quis o destino que nos tornássemos amigos - de amizade verdadeira e firme - aqui no Acre.

Lavadeiras do Juruá.
No mercado, à beira do Rio Juruá, tudo é mistério e cor. É mistério a predominância dos olhos verdes em pele cabocla. É mistério a leveza com que os barcos deslizam nos rios. É mistério como como a mesma corrente que leva o dia, lava a roupa das mulheres e causa alegria às crianças.

O posto fluvial...

... no meio do rio que leva e traz a vida dessa gente.
No meio do Juruá, um assombro! Um posto de gasolina flutuante. Coisa de surpreender o meu olhar urbano. Simplicidade prática e necessária na terra onde os rios são estradas e a vida tem a velocidade das águas.

A fartura de peixes...
...alimentando a vida.
Do rio sai o alimento. Peixes de farta espécie. Tucunarés, pacus, mandis... Da terra, o complemento que ganhou fama e corre o mundo - a melhor farinha que já se provou - a farinha com coco, de Cruzeiro do Sul.

O primeiro punhado de farinha,
ninguém acerta.
Na frente da banca e da fartura exposta, convenço Rodrigo a experimentar. E comprovo: O primeiro punhado de farinha ninguém acerta. Os maranhenses tem um jeito de provar a farinha, uma técnica que só vi por lá. juntam um pouco na mão ( "um punhado", se diz) e atira-se em direção à boca, a uma distância média.

Os que são acostumados a fazer isso, não perdem um caroço. Os que não, são como Rodrigo, denunciam a falta de experiência, na hora. A farinha fica por todo lado, no rosto. E um pouco, só um pouco, vai pro lugar certo - a boca do sujeito.

Aneildes e os dezesseis tipos de feijão
Na terra que um dia foi o Império de Galvez, encontro Aneildes, um acriano legítimo vendendo lamparinas, farinha, feijão, tapioca, alho e melado. Gêneros básicos, composição elementar do cardápio local que dá "sustância" e ajuda a enfrentar o dia quente com mais resistência e a noite escura com mais  luz.

Os feijões...
... as farinhas.  
Aneildes me diz orgulhoso - há dezesseis tipos de feijão no Acre. Entre eles, o manteiguinha, o peruano, o quarentão e o "arromba homem" (porque o grão é tão grande, que se o camarada não mastigar bem mastigadinho, já viu...)

Faço a minha matula. Dois quilos e meio de farinha com coco, um pouco do biscoito que só comi aqui e me despeço daquele lugar com os cheiros invadindo a minha memória e me transportando pra minha infância maranhense.

Lembro de um tempo em que meu mundo cabia em uma mochila. Hoje, não mais. E pensando em mochila, e ouvindo Rodrigo e as histórias das gentes de Campo Grande, revejo um velho amigo, Geraldo Rocca, cantando uma canção que fala desse sentimento de estar sempre viajando. E acho que a música tem a ver com a estrada e com essa vida de cheiros, sabores e distâncias. Então, lá vai: Mochileira. De Geraldo Rocca. Porque eu começo a pensar que um dia, o meu mundo ainda volta a caber em uma mochila.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

It's Man's World

Uma pequena homenagem a James Brown,  em um primoroso filme de animação. Pra celebrar o dia.

Resgatando a História

Marco Eusébio, jornalista.
Marco Eusébio é um jornalista, amigo feito lá pelas bandas do Mato Grosso do Sul, que me escreveu depois de muito tempo. Queria saber se era verdade que eu havia escrito um texto contando uma passagem sobre um personagem vivo da história da fronteira onde o Brasil foi Paraguai (como diria o poeta Paulo Simões).

Instigado, fui conferir. E era mesmo. A internet é mágica por isso. Você escreve algo e esse algo ganha vida própria, percorre mundos e aldeias e, quando você menos espera, bate à sua porta, de novo.

Um leitor amigo, sabendo do trabalho de resgate que o Marco Eusébio faz em seu blog, na sessão Garimpando a História, mandou pra ele um trecho da passagem que escrevi sobre o Coronel Adib Massad. E o Marquinho, muito gentilmente, me brindou com a republicação do texto.

A história é curta, divertida e absolutamente verdadeira. Publiquei-a aqui, numa sessão que costumo chamar de "Memórias da Profissão".

Para lê-lo no Blog do Marco Eusébio, basta clicar aqui. Valeu, Marco. Obrigado pelas deliciosas histórias que você vem trazendo a público nesta postura que, mais do que de blogueiro, beira o memorialismo.